FALANDO EM LITERATURA
Narrativizando
Não sei se estão lembrados, mas em dezembro do ano passado, quando reiniciei meu blog, comecei a publicar uns textos de ficção de minha autoria aqui na Letra Marginália. Aliás, publiquei apenas um, o “De cara limpa”. Era um pequeno conto escrito em meio a uma série de narrativas que chamei de “Seis personagens fugindo do autor”. Agora apresento a segunda delas. Mas diferente dessa primeira não vou puder postá-la aqui no blog. O espaço de postagem às vezes é muito reduzido para um certo número de caracteres. Meu template deixa o texto muito grande quando se trata de um que tem um pouco mais de caracteres que o comum das mensagens que publico. Quem lê tem a impressão de que não vai acabar mais, como quando posto a crônica do fim de semana. Por isso resolvi criar um espaço exclusivo para apresentar minha pouca e ainda insegura produção literária. Tanto o conto “De cara limpa” como essa segunda narrativa, chamada “A um passo da ira”, estarão disponíveis a partir de hoje no blog de literatura que criei nos últimos dias, o Narrativizando. Lá estarei publicando histórias que escrevo e de outros ficcionistas menos conhecidos. A cada novo texto que postar faço a divulgação por aqui, aí vocês vão lá, fazem a leitura e, óbvio, deixam uma impressão.
Mas não prometo postar poemas; não sou poeta e não tenho a mínimo jeito com a poesia, só sei ler e me maravilhar. Os poucos poemas que escrevi foram pro lixo, de tão ruins. Uma vez ou outra arrisco poetizar minhas experiências, mas os poemas facilmente me convencem de que não devem vir a público. Agora uma historinha, uma vez ou outra, fica zanzando a cabeça, aí não tem como segurar a coisa. Quando termino o texto, vai a auto-crítica e diz que não estão tão ruins. Depois procuro uns amigos e mostro a história. Se a maioria afirma que dá mais ou menos pra ler, então junto minha inquietude e opinião deles, aí saio contente de agradecido.
Minha intenção é somente divulgar e estimular a leitura de literatura, porque acho certo compartilhá-la com os outros. Além de tudo tem o prazer de a gente estar sendo lido, e há, também, a possibilidade de as pessoas gostarem das histórias, e há também outra coisa: estou fazendo um favor ao computador e exercitando uma coisa muito importante pra mim que é fazer literatura.
Espero que os amigos gostem das histórias e se animem também a fazer a suas, talvez. Como poeta não deu pra dizer muita coisa até então, mas como ficcionista talvez consiga dizer algo.
O endereço do blog é este: www.narrativizando.zip.net A gente se encontra por lá.
Escrito por Adalberto dos Santos às 12h24
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Meninos, eu vi o Rio!
Domingo passado, depois de umas boas horas na lida do fim de semana, em cima de textos e atividades da profissão, esperava a panqueca com recheio de frango para o almoço (que minha irmã faz como ninguém), aí tive ímpetos de ouvir música, já que ela me salva das angústias cotidianas. Primeiro vi o controle do som em cima do sofá, os cds me esperando e a expectativa de espantar a barulheira do aparelho de som da vizinha. Mas desisti rápido, rápido. Larguei o controle assim que o peguei. Troquei-o pelo da tv, assim, sem explicação. E não é que acertei a escolha?!
Liguei a tv e a Globo entrou de enxerida. Fugi dela com o espanto de um menino que corre de uma história de assombração. Passando os canais, logo chego na Tv Câmara. Domingo, mais ou menos ao meio-dia esse canal apresenta um programa muito interessante. É o Talentos, programa sobre música, no formato do Acervo MPB, da TVE Brasil. Pois não hora em que aportei no canal, estava começando mais uma edição. E dessa vez com a participação do maestro Francis Hime, reunindo um time de feras, músicos e intérpretes, para homenagear o Rio de Janeiro num espetáculo tão comovente, que ainda hoje não me recuperei da emoção.
Hime juntou-se a mais dois compositores (o Paulo César Pinheiro e outro de que não me lembro agora) para criar a Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião. Ele próprio regia uma orquestra magnífica, com músicos fantásticos, enquanto Leila Pinheiro, Lenine, Zé Renato, Olívia Hime e mais um outro artista faziam as canções, ora solos, ora em coro. Foi um espetáculo de uma expressão absurdamente linda. Estava morto de fome, mas só saí do sofá quando acabou. Os mais diversos ritmos nascidos no seio da musicalidade carioca afloravam na música da Sinfonia, enquanto o texto recriava com a maior poeticidade a história do Rio de Janeiro, suas belezas naturais, os personagens e a riqueza da tradição cultural da terra de Vinicius de Moraes.
Passei o resto do dia com uma felicidade que não conseguia esconder. Pronto, para mim não precisava mais nada. Durante um bom tempo fiquei pensando: são raros momentos especiais como esse. Ainda bem que estava lá, na hora certa. Imaginem se houvesse escolhido ligar o som. De jeito nenhum. Às vezes é bom ser pego pelo acaso.
Só fui ouvir minhas músicas depois, bem mais tarde. Claro que procurei aquelas que falassem do Rio. Estava doido pra poder dizer que eu vi o Rio àquela tarde. Meus vizinhos todos sabem que eu sou fascinado por música. Quando ligo o som, trato logo de ver se a voz está boa. Aí ouço e canto, porque acho ser a maneira mais sincera de dizer que se está gostando do que está ouvindo. Tinha MPB 4 e Quarteto em Cy interpretando várias canções que falavam do Rio, como essa do Tom e do Chico, que ouvi e cantei achando graça. Afinal, àquela tarde, eu tinha visto uma maravilhosa declaração de amor ao Rio de Janeiro de São Sebastião.
Meninos eu vi (Tom Jobim/Chico Buarque)
Um grande amor para viver um grande amor...
Eu vi o grande amor no claro olhar da minha amada
Eu vi que todo grande amor ainda é pouco, ainda é nada
Eu vi amores que jamais verei, meninos, eu vivi
Vivendo a poesia de verdade
Também vi a cidade incendiada, e tive medo
Eu vi a escuridão, eu vi o que não quis
Eu vi que amei mais do que pude, eu fiquei cego de paixão
E acho que enfim eu vi um homem ser feliz
Juro que um dia eu vi um homem ser feliz!
Eu vi o grande amor escancarado em cada cara
Eu vi o amor evaporando pelos céus da Guanabara
Amores de mortal verão, meninas, como eu vi
Vivendo a poesia de verdade
Eu vi uma cidade enfeitiçada e tive medo
Eu vi um coração molhando o meu país
Amei mais do que pude, eu fiquei cego de paixão
E acho que enfim eu vi um homem ser feliz
Juro que um dia eu vi um homem ser feliz!
Escrito por Adalberto dos Santos às 10h21
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ARTE DE VER 7

Portinari, As Marias (1936).
Escrito por Adalberto dos Santos às 12h29
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