FALANDO EM LITERATURA (e em quadrinhos)
Sempre fui fã do Mauricio de Sousa. Sou daquela geração que começou a ficar leitor de verdade através dos quadrinhos. Graças a uma tia que era apaixonada por leitura (antigamente, não mais hoje), entrei nas revistinhas bem cedo. Ela quem comprava pra mim. Das revistas, foi um passo pras pequenas e grandes narrativas. Leitor de carteirinha da Mônica e sua turma, da Luluzinha e das revistas da Disney, por muito tempo colecionei quadrinhos. Outras vezes recortei, rasguei, troquei, tentei imitar os desenhistas. Mas nunca conseguir ser um deles. Só leitor, nada mais que um inveterado leitor. E vejam só: leitor de quadrinhos que poucos dos garotos do meu tempo liam. Não fui de ler Super-Homem, Batman, a série Marvel, entre outros. No meu tempo, esses eram os heróis da moda. Mas eu não gostava. Desses aí nao. Achava violento, chato demais, muito sem graça. Às vezes lia alguns deles, é verdade, quando não tinha outra alternativa. Mas juro que não comprava, nem pedia pra que comprassem pra mim. Não combinava comigo. Acho que nesse tempo já sabia distinguir o tipo de leitura que me impressiona, que aprisiona meus nervos: a que parece não dizer nada, de tão sutil nos gestos, mas que acaba dizendo muito. Mauricio de Sousa, por exemplo, foi para mim o criador das personagens mais encantadoras que já vi. Nem sei falar dele. Suas histórias, no entanto, falavam muito pra mim. Cresci admirando esse cara. Às vezes fico lembrando das vezes em que ia pra casa de um amigo, de nome Gentil, passar duas, três horas da noite lendo quadrinhos. Minha mãe era amiga da mãe dele, e quase todas as noites ia visitar a mãe do Gentil. A gente ficava na sala lendo histórias enquanto as duas botavam o papo em dia. Era bom demais, meu Deus!!! (Será se o Gentil ainda lembra, hein!? Faz tanto tempo que vi esse cara...). Hoje abri o site da UOL e encontrei uma chamada para um texto que o Maurício de Sousa escreveu, e que está no site da AGÊNCIA CARTA MAIOR (www. http://agenciacartamaior.uol.com.br). Muito bacana. Nele o criador da Magali fala ao Arqueólogo do Futuro sobre nosso mundo, neste século, e as esperanças que todos temos, a um imaginário amiguinho (talvez um menino como fui, leitor dos quadrinhos dele) no futuro. Vale a pena ler. Estou reproduzindo esse texto pra vocês. Principalmente pra quem não teve oportunidade, ou curiosidade, de ir ao site e ler o que o Mauricio escreveu. Eu adorei ter lido. Depois fui ver a Mônica metendo o Sansão na cabeça dos nossos mais idiotas governantes, arrogantes e descuidados de nosso lindo planetinha. Na certa nosso amiguinho há de entender que a Moniquita era assim esquentadinha porque às vezes faltava paciência com tanta leseira que há na cabeça dos seres da nossa espécie. Mas a vida continua, bonita e colorida como os quadrinhos do Maurício. Vamos ao texto...
Ao amiguinho do futuro
Carta de Mauricio de Sousa, endereçada ao arqueólogo do futuro

Oi, amiguinho do futuro! Para sacar esta mensagem de um velho aparelho, obsoleto, sem uso durante séculos, só pode ser jovem e curioso. Como todos os jovens. Desculpe-me estar escrevendo em português arcaico. É como sei escrever hoje. Mas vou tentar passar-lhe algumas informações sobre nossa vida aqui e agora. Se necessário, use um dicionário antigo ou um tradutor para entender minhas palavras e perceber como eram as coisas antes das grandes transformações que, sem dúvida, a humanidade viveu até chegar ao seu tempo. Em primeiro lugar, queria que você soubesse que vivemos, neste início de século 21, sob um céu azul bonito, de vez em quando cheio de nuvens graciosas, leves, ou pesadas, preparadas para chuva. E é uma delícia sentir o sol no corpo ou a chuva no rosto. Coisa que espero que vocês tenham como experimentar no futuro. A água ainda corre mansamente de mananciais incrustados em montanhas, pedras ou campos. Límpida, fresquinha e gostosa de beber. Depois, vira ribeirões, rios e chega ao mar azul, carregando vida e proporcionando vida. As florestas, bosques, pomares e plantações cobrem boa parte do planeta, disputando lugar com áreas mais secas ou desérticas. Há gosto pra tudo! As pessoas se gostam, se tocam e se juntam para perpetuar a espécie. O romance, o amor, a paixão são cantados em prosa e verso em todos os meios de comunicação de que dispomos. Temos cuidados extremos com os filhos. Queremos o melhor para eles e tentamos indicar-lhes os melhores caminhos. Acreditamos num Deus, embora pelo distanciamento, alguns grupos humanos vejam este Deus com formas diferentes. As crianças brincam, os jovens namoram, os pais trabalham e os avós curtem uma velhice quase sem grandes ameaças à saude, devido ao grande avanço que a medicina atingiu. O turismo desponta como a grande indústria do nosso futuro e a internet, com todas as informações do mundo, ainda engatinha no seu poder disseminador de cultura e lazer. É um mundo bom para viver. Cuidar. E deixar preparado para você. No meio destas dádivas todas que recebemos da natureza, há os momentos em que paramos para pensar e discutir sobre como vamos preparar a ponte entre nós e vocês. Como vamos evitar que ameaças pairem sobre o meio ambiente, sobre a sociedade, sobre a cultura, sobre a esperança. Temos condições para pensar e erradicar essas ameaças e pretendemos fazê-lo, para que você entenda o que é o céu azul, o mar de águas limpas, as florestas, o amor, o respeito aos idosos. Estamos nos esforçando para isso. Porque você é o que faremos e seremos.
Escrito por Adalberto dos Santos às 00h04
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LETRAS DE BLOG
(Clique ABAIXO e leia bons poemas) http://www.liliant.zip.net
Os Poemínimos & Poetrix da Lilian Maial
Em Letras de Blog desta semana, destaco os poemas da Lílian Maial, do blog POETRIX E POEMÍNIMOS. Há algum tempo venho observando os textos que ela escreve, sempre irregulares, claro, mas todas as vezes muito bem elaborados. Sao posts belíssimos, voces precisam ver.
A turma tá indo pouco lá porque talvez não a conheça ainda. Mas a menina tá mandando ver na poesia. E é verdade! Seus poemínimos são de uma grandeza significativa muito impressionante. Às vezes supera, na síntese, a muito poeta de blog por aí, veterano e calejado na escrevinhação de versos. Vou pedir que meus amigos passem lá pra conferir. Pode ser que gostem. Não garanto que a menina acerta toda vida, não é isso. Mas a gente lê boa coisa lá. Eu fiz uma amostra particular de uns poemas que recolhi, sem muito importar com a minha postura crítica de leitor especializado. Guardeio-os no meu micro. Li como leitor comum, pelo impacto que eles causaram. Mas aqui não vou mostrar nenhum, nenhum dos poemas da Lílian. Alias, vou, só um. Olha aí um dos poemas dela.
Quem quiser ver além desse, acessa ali em cima que tem mais. Depois linkem o blog e apreciem o quanto possam...
MOLDURA nas folhas do calendário teu sorriso segura os dias
Mas é isto, a Lílian, com certeza, promete. Se continuar escrevendo é capaz de desenvolver um estilo e uma visão muito pessoal da poesia de forma a se tornar uma grande expressão poética em meio a esse arretado fenômeno dos poetas de blog. Agora fiquei imaginando de onde ela é, e o que anda fazendo depois de blogueira. Pelo que vi no blog, nada sabe-se dela, a não ser dos POEmÍniMos, que não são nem tanto assim. Lílian, diz ao povo de onde tu é, o que faz, o que pretende mais com esse teu blog. Estamos curiosíssimos e torcendo por você.
Escrito por Adalberto dos Santos às 02h27
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FORA DA ESTANTE
Neruda y un poema de amor
Acho que o espanhol não é tão difícil ao ponto de tornar ininteligível a leitura de um poema a um falante de língua portuguesa. Principalmente se se trata de um poema do chileno Pablo Neruda, poeta tão conhecido e lido, e cuja expressão ultrapassou o território latino-americano, tornando-se ao longo de suas quase cinco décadas de atividade artística uma referência mundial em termos da melhor poesia em língua espanhola.
Tenho por este poeta uma paixão espantosa, tanto por seu romantismo prosaico, quanto pelo lado épico de suas poesias, combativas, críticas e questionadoras, sempre voltadas à participação social, que Neruda achava ser uma das funções do poeta. De sua obra múltipla e vária, adquiri alguns livros, com o carinho especial de quem cedo pôde ler o poeta, em plena efervescência do amor romântico, quando as veias pululavam de rebeldia e paixões sem mais ver. Mas meus livros são traduzidos (o que acho uma droga), tanto a Barcarola, quanto os Cem sonetos de amor e o Residência na terra I e II.
Por sorte que já peguei algumas edições dos livros de Neruda em espanhol e tive o prazer de sentir, na leitura oral, o gosto do poema original, na exata e sonora língua espanhola, de que tanto gosto. Agora lembrei havia guardado um poema de Veinte poemas de amor y una canción desesperada, se não me engano, chamado “Puedo escribir los versos...” nalgum canto de gaveta hoje de manhã. Aí trouxe pra cá, pra dividir com vocês. Desta vez é o contrário: não é um dos meus livros Fora da Estante, que dou um pedacinho aos camaradas que vêm ao meu blog toda semana, mas um dos meus livros que ainda não tenho, que pretendo ainda comprar. Não sei quando nem onde, porque está muito difícil uma edição brasileira de “Veinte poemas...” Talvez em algum sebo, quem sabe. Ali a gente acaba encontrando coisas maravilhosas, coisas das quais a gente nem imagina. Há umas duas semanas, sem querer, encontrei duas traduções de poemas do Brecht, que me deixou exaltadíssimo. Na hora que os vi (estão reservados pra quando surgir um dinheirinho folgado), tive que ler pelo menos uns dez ou doze poemas pra me recuperar da surpresa. Muito difícil poemas do poeta alemão. E quando temos em editoras nossas, custam os olhos da cara.
Mas é isso, faz de conta que tirei do sebo essa pérola da literatura amorosa universal. É pra todos os coraçõezinhos cruentos de amor, para os casais que andam separados e para os trouxas que não conseguiram amar ainda. Neruda é essencial nessas horas. Olha aí que bonito, poema de uma das mais importantes obras do século XX, considerada a última grande manifestação de um romantismo pouco em voga à época dos modernistas, e, me parece, bem distante desse mundo que se auto-proclamou pós-moderno. (leia a seguir o poema >>>>)
Escrito por Adalberto dos Santos às 18h25
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Poema do Pablo Neruda
Puedo escribir los versos...
Pablo Neruda
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: “La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos”.
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también mi quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la queria.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocio.
Qué importa que mi amor no pudiera guardala.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta com haberla perdido.
Como para acercala mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta com haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
Y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Escrito por Adalberto dos Santos às 18h22
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ARTE DE VER 5

PICASSO - Tres dançarinas
Escrito por Adalberto dos Santos às 19h14
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